Meu último corpo, que é também o primeiro, é assim o único. Ele não é “meu” corpo, mas sim, é um só, comigo. Na verdade eu não “tenho” um corpo, eu sou o meu corpo. Os “eus” que eu sou, meus seres, somente podem existir porque é o corpo que os permitem existir.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
A dor de um semelhante
A dor de um semelhante, qualquer um, ou mesmo de um animal, não pode ser somente um evento externo, alheio ao nosso ser e ao nosso existir, não pode passar imune e impune a nossa realização do viver.
Quando presenciamos dor, sofrimento, miséria, fome ou pavor, e este fato se nos parece apenas externo ao nosso ser, estamos muito longe de nossa humanidade, estamos afastados daquilo que deveria nos identificar como seres sociais.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Castelos ao vento
Castelos ao vento, fantasias do que não somos, e histórias criadas para iludir o abandono de nossa humanidade, isto é um pouco de nossa realidade. De pé, sem chão e sem teto, cercado por paredes invisíveis, porem não menos reais, que segregam, que excluem, que (pré)conceituam, que sufocam, mas que nos escondem de nós mesmos, que nos domesticam pelo que o poder de nós deseja e pelo comportamento que o sistema de nós espera, e que nos afasta daquele humano que poderíamos ser.
Piada de mau gosto
Viver cada vez mais se parece com uma piada de mau gosto, uns porque sofrem, outros porque oprimem, uns porque sobrevivem como podem, outros porque esbanjam o que falta a muitos, uns porque se omitem, outros porque induzem a omissão, uns porque tem medo do poder, outros porque fazem do poder uma máquina de impingir terror, uns porque creem e outros porque se aproveitam das crenças, uns porque tem fome e outros porque vivem e se enriquecem com a fome de muitos, uns porque são excluídos socialmente e outros porque excluem socialmente, uns porque vivem oprimidos e outros porque oprimem, uns porque vivem explorados e outros porque exploram, uns porque mentem e outros porque mentem também, e finalmente uns porque tem esperança, e outros porque mentem que a esperança é necessário.
Cada ser humano
Cada ser humano é único em sua multiplicidade de seres, em sua complexidade cerebral, fazendo assim de seu espírito mental algo próprio e inerente a cada um ser humano. Assim somos semelhantes sendo únicos e deveríamos ser individuais sendo coletivos.
Pensamento crítico
Manter um estado mental crítico, com algum que de ceticismo, em todos os assuntos, privados ou públicos, mesmo sobre aqueles que creia como verdadeiros, que já creia saber alguma coisa, é um diferencial para os livre pensadores. Adoraria convencer irmãos em espécie que assim também buscassem se comportar. Uma vez que o pensamento é livre, sugeriria a todos que tentassem manter um estado mental de análise crítica em tudo que fizerem, ouvirem, pensarem, leiam ou estudem, e dentro do possível, onde couber, dessem vazão a um estado de pensamento racional. Um que de ceticismo é sempre bom e útil, pois nos força, quase nos obriga, a ir mais longe e mais fundo em nossas análises.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Somos tão bons mentirosos
Somos tão bons mentirosos, que chegamos a acreditar que não mentimos.
Somos tão bons mentirosos, que mesmo no exílio de nós mesmos nos acreditamos no controle das coisas.
sábado, 1 de fevereiro de 2014
A indução não pode ser prova de nada
A indução por si só nunca foi prova de nada, é assim uma das grandes falhas de quem busca o saber, busca conhecer, busca alguma verdade científica. A indução implica, indiretamente, que seja possível saber mais do que se sabe. Por mais que algo tenha acontecido igualmente por dez mil ou mesmo cem mil vezes ou mais, por anos, séculos, milênios e bem mais ainda, não implica, nunca implicou ou vai implicar, por si só, que sempre será assim, que já na próxima ocorrência não possa ser diferente, não implica nem mesmo que sempre foi assim.
Alienação de nosso ser
Na insustentável louca alienação de nosso ser encontramos muito do porque da precária realização social e natural de nosso viver. Em qualquer lugar e em qualquer tempo, pesa e sempre pesará sobre as costas da maioria de nós a mácula da inação contra a destruição do humano e do natural, que por nos omitirmos frente a loucura do que aqui está, possibilita a dissolução lenta, mas doentia, do social, frente a vergonhosa valorização do meu e dos meus, com insensível destruição ecológica do nosso lar.
A linha do horizonte e a realidade
A linha do horizonte é logo ali e existem muito mais coisas para além dela. A linha do horizonte não é limite, não é fim, é tão somente efeito da curvatura da terra.
Somos míopes por estrutura biológica, nossos sensores e nosso cérebro são imperfeitos e limitados, assim a realidade, toda a realidade, é muito mais do que percebemos, é muito mais do que a superficialidade dos fenômenos que observamos, que conseguimos observar ou que poderíamos observar.
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