A voz da loucura bate diariamente a minha porta que ousa
nunca se fechar. Sons dispersos buscam me fazer roer parte do que sou, pela
vitória dos que não conseguem ser. Rolo ladeira acima, empurrado pelos ventos
do desespero, aqueles mesmos ventos que me envergonham por ser eu da mesma
espécie daqueles que sopram ferozmente segregação sem nenhuma fonte de
vergonha, daqueles que trovejam exclusão, daqueles que em nome do santo poder e
da gloriosa riqueza se cobrem de glamorosa vaidade que mais os fazem exemplos
do que não poderia um humano ser.
A voz da loucura me impõe ser diferente, me sussurra gritos
de transformação, me despeja sem dó nem piedade em pleno teatro de operações
desta guerra injusta, pelo poder de ter e de ser, sendo mais do que o social o
pode ser. Sou louco... A voz brinca comigo... Todos estão felizes, só eu não me
ajusto, pois a loucura tomou conta de mim, e perpassa em névoa tudo de bom que
existe no mundo... Sou louco, mas prefiro morrer louco a viver insensível na
paz de espírito que impõe fome, miséria e exclusão social a mais de dez por
cento de toda a população...

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