segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Sou um eterno refém

Sou eterno refém de tudo que não fiz, sou um abandonado dos muitos que me fizeram ser o que sou e que me compõem, sou um perdido de mim mesmo na loucura real da irrealidade subjetiva que percebo, sou viúvo morto na morada introspectiva de todos que sou, sou enfim mutável e mutante, induzível e indutor, transformado e transformador, complexo e complicador, amado e amante, sou muito mais do que percebo ou do que de mim percebem, sou consciente e muito mais inconsciente, sou verdade e mentira sendo fruto fatal de um nada que fui e que emergiu naturalmente da complexidade neural de meu circuito cerebral, sou revoltado e revoltante, sou um ninguém que é tudo para mim, sou esponja e espelho, sou o que penso, o que sequer sei que penso e sou as ações, atitudes e comportamentos que com ou sem pragmatismo realizo. Sou assim humano, quase humano e horas desumano, mas sou aquele que busca ser um ser social na individualidade coletiva que me move e na qual estou imerso. Sou assim um ser social, um ser do grupo, e muitas vezes um ser local e individual, mas sou um ser que ainda se revolta, se não ainda o suficiente, mas que busca respeitar a todos. Sou assim um ser natural que muitas vezes se esquece disto, pois que da natureza vim e para a natureza retornarei, mesmo sabedor de que o meu eu não mais existirá quando me for, ou melhor quando minha matéria a natureza retorne. 


Sou um eterno refém de meu corpo, e que quando meu corpo se for, não mais existirei para sequer lembrar disto, assim jamais me libertarei de mim mesmo.

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