Como pode alguém acreditar ou aceitar a
existência de verdadeiros sábios, se a principal qualidade de um sábio deva ser
a busca da plena e total felicidade sincera, quando esta busca colide
frontalmente com a realidade social de abandono, de exclusão e de miséria que
praticamente, de forma endêmica, assola a milhões?
Entendo que toda felicidade absoluta é
impossível quando com coragem, humanidade e amor a verdade percebemos o estado
social de nosso mundo, a menos que ser sábio implique em uma alienação
consciente ou em uma omissão desumana. Mesmo que possível fosse uma plena
sabedoria (o que por si só não creio), não é possível uma plena felicidade,
pois se como humano, ou parcialmente humano, sofro com os que sofrem. Ser sábio
e não se lançar a luta pela transformação do que aqui está é perda de tempo,
alias pode ser muitas coisas, mas me reservo o direito de rejeitar estes, como
sábios. A felicidade plena não pode ser minha, há de ser nossa, há de ser
social, e se alguém fosse capaz de consegui-la, a felicidade plena, esta pressupõe
que deva deixar de ser minha para passar a ter de ser nossa, de todos, de
qualquer um, em qualquer lugar. E quando convivo com a realidade atual, me vejo
sofrendo com os irmãos, para ter a coragem e a ousadia de me expor pela
transformação necessária. A não ser que a alienação social seja uma qualidade
pertinente aos sábios e a felicidade.

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