Enxergar deve ter sido realmente muito importante para a sobrevivência ao longo dos muitos e muitos milhões de anos, e o foi. Toda e qualquer vantagem evolutiva na percepção dos predadores e das presas, dos caçadores e das caças, e mesmo para os coletores na mais fácil percepção de frutos, folhas, grãos ou raízes, era uma vantagem aproveitada para a sobrevivência e para a procriação. Uma prova disso é a quantidade de diferentes vezes em que a visão, em inúmeros diferentes graus de sensibilidade e foco evoluiu, em diferentes espécies, em diferentes tipos de “olhos”, e em diferentes épocas. Olhos estes que variam de simples superfície foto sensível, até olhos bem elaborados e suportados por um circuito neural variado, circuito este que no animal homem possui cerca de 30 diferentes áreas cerebrais envolvidas no processo da visão. “Visão” esta que varia de mera percepção a um comprimento de onda, até a capacidade de criar uma percepção imaginaria da própria visão, que encontra na espécie homo sapiens a capacidade de visualizar uma cadeira com asas voando, ou mesmo um cavalo alado como se o estivéssemos vendo em realidade. Como um exemplo rápido da variedade de olhos e processos de visão podemos citar olhos do polvo e o do homem, animais tão díspares, cabendo informar que o último espécie comum entre o polvo e o homem era um animal aquático sem olhos, o que demonstra que a evolução independentemente selecionou o olho-visão como realmente algo importante, não uma vez, mais diversas vezes.
Ver é perceber a realidade do mundo que nos cerca, através da subjetividade de nosso processamento cerebral, tendo como interface entre o objeto ou ambiente observado e o olho a luz, um eletromagnetismo, um dual de onda e matéria, de fóton e onda. Ver, ou enxergar, é assim um processo passivo e complexo. Ativo apenas na escolha do para onde olhar, pois que é o reflexo eletromagnético quem caminha até nós, e o seu processamento mental é todo inconsciente, como a maioria absoluta do que fazemos e do que somos. Vejo sempre no passado, por mais presente que possa parecer esta sensação, pois que ver implica em receber o impulso eletromagnético nos olhos, que teve origem no objeto ou na paisagem observada, converte-los em impulsos elétrico-biológicos na retina, e através de nervos óticos este impulso viaja até diferentes partes do cérebro onde é processada, decomposta e finalmente através de símbolos convertido na imagem presente que acreditamos ativamente ver. Por mais lindo, encantador e maravilhoso que pareça ser o nosso olho e todo o processo de visão, eles possuem muitas falhas, simples e exatamente porque não têm projeto algum, todas as variações de olho-visão na natureza evoluem naturalmente ao acaso de erros que deram melhorias para a sobrevivência de mais descendentes.
Gostaria de acrescentar, antes que seja fervorosamente fulminado por alguns, ou mesmo muitos, que quando comentei que enxergar é um ato passivo, me refiro a que o processo de ver, perceber, enxergar, não se processa essencialmente sob o controle consciente, sob a racionalidade, ou sob a intelectualidade, é óbvio que não enxergamos de forma totalmente passiva, ver, perceber ou enxergar é um ato totalmente ativo no referencial de que totalmente processado em nossos circuitos neurais, em nosso subconsciente, em nosso subjetivo, baseado em conhecimento prévio, em presunções, e em lógica natural do como o mundo é.

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