Eu não vivo porque sou, mas eu sou porque vivo. O viver sempre precede o ser, ninguém é ou pode ser, sem viver. O ser e o viver são ambos naturais, entretanto, para ser, para ser algo mental, e não mera composição de matéria natural, preciso viver. Por sorte um morto também é, mas é apenas um corpo material desprovido de mente. A tentação é enorme para falar um corpo sem vida, mas mesmo naquele corpo morto, enquanto se decompõe existe uma profusão de vida bacteriana, talvez mesmo alguns vermes e etc., mas com certeza não há nele nenhuma vida que poderíamos definir como humana, não há nele nenhuma existência do ser que ele foi, pois que a morte simplesmente pôs fim a qualquer existência deste ser.
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
domingo, 21 de setembro de 2014
Não sei se sou
Não sei se sou, sei que realizo algo do que sou, mesmo que não saiba exatamente o que seja, e nem tudo que realmente seja.
Não sei se sou, creio unicamente saber que tanto eu quanto os outros apenas me conhecerão em parte, e nunca saberemos quem realmente possa ser, ou realmente se sou o que aparento ser.
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Sou um eterno refém
Sou eterno refém de tudo que não fiz, sou um abandonado dos muitos que me fizeram ser o que sou e que me compõem, sou um perdido de mim mesmo na loucura real da irrealidade subjetiva que percebo, sou viúvo morto na morada introspectiva de todos que sou, sou enfim mutável e mutante, induzível e indutor, transformado e transformador, complexo e complicador, amado e amante, sou muito mais do que percebo ou do que de mim percebem, sou consciente e muito mais inconsciente, sou verdade e mentira sendo fruto fatal de um nada que fui e que emergiu naturalmente da complexidade neural de meu circuito cerebral, sou revoltado e revoltante, sou um ninguém que é tudo para mim, sou esponja e espelho, sou o que penso, o que sequer sei que penso e sou as ações, atitudes e comportamentos que com ou sem pragmatismo realizo. Sou assim humano, quase humano e horas desumano, mas sou aquele que busca ser um ser social na individualidade coletiva que me move e na qual estou imerso. Sou assim um ser social, um ser do grupo, e muitas vezes um ser local e individual, mas sou um ser que ainda se revolta, se não ainda o suficiente, mas que busca respeitar a todos. Sou assim um ser natural que muitas vezes se esquece disto, pois que da natureza vim e para a natureza retornarei, mesmo sabedor de que o meu eu não mais existirá quando me for, ou melhor quando minha matéria a natureza retorne.
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Filhos, educação, sobrecarga com descaso
Tenho certeza que estarei escrevendo algo que poderá gerar algum mal entendido ou controvérsia, mas mesmo assim não deixarei de escrever. Começarei falando que entendo falacioso, ou no mínimo algo de certo mal entendido acreditar diretamente que mais horas de escola signifique melhor ensino. Entendo que deva existir um mínimo de horas, mas nenhuma sobrecarga de horas focadas unicamente no ensino pode significar uma melhora direta no ensino. Eu não sou necessariamente um destes. Uma escola de período integral implica em necessidade de infraestrutura, pessoal e equipamentos. Para alguns pais o que menos importa é a educação, pois que existem pais, e infelizmente muitos deles, que apenas desejam se “livrar” de seus filhos depositando-os em escolas de período integral, e assim se isentam, por todo o dia, da responsabilidade pelo cuidado, pela educação, e pela instrução e sociabilização de seus filhos, como que passando toda a responsabilidade para a escola. Outros pais o fazem por total impossibilidade familiar de ter alguém que possa acompanhar seus filhos em parte do dia. É importante dizer que não sou contra escolas de tempo integral, pelo contrário sou a favor, sou contra sim depósitos escolares de tempo integral. Uma escola, qualquer escola que ofereça ensino em tempo integral, necessita, ao meu ver, de ter uma boa parte do tempo alocada a lazer, distração, artes, música, dança, teatro, laboratórios, pesquisa científica, e etc., isto implica em espaço físico próprio para cada uma das diferentes atividades, e mestres ou instrutores preparados e motivados, além de turmas limitadas. Entendo que o ideal seriam escolas de turno único, é verdade, mas tendo seu turno com cerca de no máximo 7 horas, assim ousaria propor como um horário típico o das 9 horas até às 16 horas. Também entendo que este horário é péssimo para a maioria da população trabalhadora que por necessidade e dificuldade acaba gastando mais de 10 horas por dia com trabalho, em alguns casos mais até de 12 horas quando envolvemos os deslocamentos de ida e volta ao trabalho. Não dá para segregar o problema da educação, de um compromisso social, político e econômico sério. Por melhores e mais dedicados que sejam os professores, falar de Educação sem aderência a um plano sério político, econômico e social, é brincar de fazer educação. De nada adianta professores motivados, bem intencionados, preparados e dedicados, se em muitos casos o estado olha para a escola, não como uma Escola, não como um local sério, como um templo corresponsável pelo preparar integralmente seres humanos, um local preparador de indivíduos, de seres humanos completos, de seres capazes de pensar e criticar, mas sim, olha para as escolas, como locais de guarda de crianças para que a mão de obra barata de seus pais possa simplesmente exercer sua função capitalista de ajudar na geração e acumulação de riquezas para os que se locupletam com sua mão de obra barata, e olha para a educação como um simples repetidor, um perpetuador do que já agora é, na mera criação de nova mão de obra barata e incapaz de pensar por si só. E os professores, aqueles que trocam vida, compromisso e comprometimento com as crianças e os jovens, acabam por ficar numa situação onde desejam ser mestres, parceiros, fonte de exemplos e motivadores na caminhada destas crianças e jovens, mas falta-lhes suporte do estado, infraestrutura e vontade política de tornar entrelaçado políticas de Educação com políticas sociais e econômicas.
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Sonhar
Sonhar é livre, viver imerso no sonho é se omitir do real.
Sonhar é bom, viver do sonho é se perder de realizar o real.
domingo, 31 de agosto de 2014
Nunca antes, nunca depois
Nunca antes, nunca depois. Se a transformação é possível, ela deve sempre começar na realização do agora, do eterno momento presente que se descortina para o depois, para o amanhã. Toda transformação, tem seu preço, e deve ter início em nós e por nós, não unicamente para nós. Toda transformação deve renascer de dentro, de dentro de cada um de nós, para que nasça e floresça de dentro da sociedade. Não existe transformação que venha de fora, existe medo, costume, interesses ou cultura, a transformação deve nascer do submundo de nosso ser, dando formas ao submundo da sociedade para que de dentro para fora a transformação tenha efeito, e esta mudança nunca ocorrerá no antes, pois que já é passado, e nunca ocorrerá no depois, posto que ainda é futuro e pode nunca chegar, ela sempre deve ocorrer no âmbito do real, não do ideal, ela deve ser construída no aqui e no agora (do aqui e do agora), do presente do que somos para o presente do que queremos ser, da sociedade que temos para a sociedade que desejamos ter, do humano que realizamos para o humano que desejamos realizar, do ser que estamos para o ser que queremos atingir, de mim, por mim mas para todos.
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Pareço
Pareço um pouco do que sou, pois sendo, pareço ser aquilo do que me faz ser, mas no fundo, não sei se sou o que pareço parecer, e sequer sei se pareço o que sou, simplesmente porque pouco sei do que, no submundo do que sou, realmente seja. Não que seja falso, não que seja louco (talvez um pouco), pelo menos não totalmente, não que seja um sem rumo, apenas não consigo, e sinceramente creio que ninguém consegue, saber em essência tudo que se é, e assim, jamais saberei se pareço ser o que realmente sou, ou apenas sou, mesmo sem parecer.
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Crer a margem da racionalidade
Somos tolos quando acreditamos em algo à margem da racionalidade, independente de uma análise crítica, a revelia da lógica natural, ou contrariamente a alguma comprovação sustentada por evidências positivas da ciência, mas somos mais tolos ainda se acreditamos que temos respostas ou provas puramente racionais ou científicas para tudo.
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Viver agindo e pensando
Livres pensadores, livremente pensam. Filósofos realizam o viver pensando e repensando. Revoltados agem e desconstroem para construir. Agora um livre pensador, filósofo e revoltado, vive agindo e pensando, pensa vivendo e agindo, e age pensando e vivendo.
sábado, 23 de agosto de 2014
A verdade
A verdade é aquilo que somente um deus perceberia, sentiria, veria, ou saberia, se algum deus realmente existisse, todo o resto é mera interpretação desta verdade, aproximação ou simplificação daquela verdade absoluta em si mesma, ou então é uma falsidade pura, uma mentira aberta. Isto não significa que não sejamos capazes de termos conhecimento completo de algumas verdades, o que nos faltará é a certeza de que seja aquilo que sabemos, toda a verdade. Caso mais aprofundemos nossa viagem pelo submundo da realidade, ou se alterarmos a ordem de grandeza de nossa análise, podemos acabar nos deparando com mais verdades, ou alterações naquela verdade que julgávamos saber.
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