A verdade é aquilo que somente um deus perceberia, sentiria, veria, ou saberia, se algum deus realmente existisse, todo o resto é mera interpretação desta verdade, aproximação ou simplificação daquela verdade absoluta em si mesma, ou então é uma falsidade pura, uma mentira aberta. Isto não significa que não sejamos capazes de termos conhecimento completo de algumas verdades, o que nos faltará é a certeza de que seja aquilo que sabemos, toda a verdade. Caso mais aprofundemos nossa viagem pelo submundo da realidade, ou se alterarmos a ordem de grandeza de nossa análise, podemos acabar nos deparando com mais verdades, ou alterações naquela verdade que julgávamos saber.
O que sabemos, que um deus também exatamente soubesse, sabemos como verdade absoluta, mas nunca saberemos se seria esta verdade aquela que algum deus também saberia, provavelmente talvez nunca tenhamos certeza absoluta deste saber, e de resto continuaremos buscando, sempre limitados por nossos falhos e imprecisos sensores, mesmo os tecnologicamente criados para elevar nossa sensibilidade da realidade, e por nossa limitada capacidade de processamento, mental ou computacional. Sempre existirá algum limite imposto pela biologia, ou pela ciência e pela tecnologia daquele momento, somos assim, e seremos eternos curiosos na busca de verdades mais completas, mais profundas e mais verdadeiras, nem que isto muitas vezes custe o preço de rever nosso conhecimento, de abandonar certas ideais de verdades vigentes, ou mesmo de alterar nossos paradigmas da verdade.
A verdade existe, posso não conhecê-la, posso nunca vir a conhecê-la em totalidade, mas ela não é dependente de minhas interpretações subjetivas, apesar de ser subjetivo, de alguma forma, tudo que conhecemos, dualidade estranha e complexa esta, por isto ela, a verdade, nunca será em si, relativa. Relativa é a nossa interpretação daquela verdade absoluta, mesmo que probabilística.
Caso a verdade absoluta em si não existisse, se absolutamente relativa ela fosse, porque a buscar? Porque nos esforçarmos em a encontrar? Seria burrice nossa, perda total de tempo, e assim cada um poderia ficar com a sua (interpretação) da verdade, pois a argumentação de relativa me permitiria ter a minha, qualquer que ela fosse, o que destoa completamente da realidade que experimentamos. A gravidade existe para mim, para você, para qualquer um, faça eu qualquer juízo de valor dela, pois ela não é valor algum, ela é uma verdade, e dela ninguém escapa, e que bom que assim seja, pois somente pela gravidade podemos aqui estar. Se cada um pudesse ter a sua verdade, a sua absoluta verdade, e não apenas e tão somente a sua frágil interpretação da verdade, uma vez que esta sim pode ser relativa, e o é, eu poderia achar que a gravida sequer existe, ou que ela poderia me permitir levitar naturalmente, mas assim não o é, independente de minha interpretação da gravidade, ela existe, e sempre atua da mesma forma sobre todos e sobre tudo. O que ainda é subjetivo, mera interpretação pessoal, é a interpretação do mecanismo de atuação desta gravidade, eu posso achar que a gravidade deriva de uma distorção espaço temporal, você pode achar que ela é originaria de uma partícula ainda não encontrada o gráviton, e outro pode achar outra coisa, pois que ainda não comprovamos sua origem, mas que a gravidade seja ela própria absoluta, não temos como disto duvidar, sem cairmos em fanatismo, ignorância ou fundamentalismos. Se cada um pudesse ter a sua verdade absoluta seria um caos absoluto, seria pior que o caos, pois que o caos possui certa ordem, certa regra, que desconhecemos em totalidade é verdade, mas o caos nunca será possibilidade de tudo, probabilidade de qualquer coisa, e no cenário onde cada um pudesse ter a sua verdade própria, a gravidade poderia existir para mim, e não para você. Irresponsável qualquer linha de argumentação neste sentido. A verdade é sempre objetiva, universal e eterna, pois que ela representa um ponto no espaço tempo. Valores são sempre subjetivos, pessoais e mutáveis, mesmo que possamos ter mentalmente certas bases evolutivas de certos princípios morais. E as interpretações da verdade sim, infelizmente podem ser múltiplas, mas todas elas devem racionalmente, de forma crítica, refletirem a verdade real por traz de qualquer fenômeno. Cabe lembrar que é irracional e ilógico toda e qualquer interpretação de alguma verdade que abertamente fira o conhecimento comprovado de forma experimental, mesmo que eu descubra alguma característica nova sobre a gravidade, como, por exemplo, que a gravidade a longuíssimas distancias inverta seu sentido de atuação, vamos supor, hipoteticamente que descubramos que a longas distancias a gravidade passe a ser repulsiva, nada muda a experiência de que no curto espaço, na realidade em que vivemos a gravidade é atrativa. Assim não crer é fanatismo e irresponsabilidade.

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