O estudo da consciência é para mim de suma importância, principalmente para desmistificar alguma transcendência do ser, alguma “sobrenaturalidade” do ser eu, minimizando a importância da consciência frente ao subconsciente dos múltiplos eus, ou pedaços de eus, que me habitam, mas o paradigma da consciência, mesmo que ainda longe de uma certeza absoluta, não impede, ou não distorce o entendimento e o conceito da racionalidade, posto que este, o racional, não obstante ser praticado por um sujeito, subjetivo em si mesmo, não é, não deve, e não pode ser subjetivo em si mesmo, a menos do fato de ter de aceitar como verdadeiras e aceitáveis as decisões que apenas como você podem ser equalizadas e acordadas.
A racionalidade não depende conceitual e pragmaticamente do sujeito que a pratica, ela deve ser universal enquanto método e prática. Tão universal que me exporia totalmente dizendo que se existirem seres inteligentes neste universo, outros que não nós, quase que certamente, no tocante a busca de verdades, de quaisquer verdades, eles terão com certeza uma ferramenta, mesmo que tenham outras, que muito se assemelhará com a nossa racionalidade. Isto em nada diminui a importância do estudo sério, cético, objetivo, metódico, e sob a metodologia científica, do entendimento cada vez mais profundo e real do mental e de seu substrato físico, material e natural, o biológico cérebro.
O estudo do mental pode abrir, e com certeza abrirá, novas portas, trazendo novas perspectivas de entender o sujeito pensante e o ato material de pensar em si, em contra partida fechará outras tantas, mas no que nos interessa, nos mostrará como a racionalidade opera no submundo mental, como pode ser objetiva em pleno domínio do subjetivo, e talvez mesmo do intersubjetivo, do mental individual e talvez do mental coletivo, ou melhor, dos eus mentais, em especial aqueles que operam sem deliberar presença efetiva em mim.
O mais importante ainda, é que operando a racionalidade em si, como um método, um processo em que nos utilizamos do processamento mental e cerebral, como meio, desde que bem praticada a racionalidade, ela em si mesma estará demarcada e operando no subjetivo, mas isolada deste pelo próprio método em si.

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