Certo?
Muitas vezes sequer temos certeza de que erramos, não percebendo nossos erros, e mesmo quando nos apontam estes, encontramos desculpas e justificativas para, mesmo contra evidências, nos enganarmos de que não erramos. Outras vezes somente percebemos nossos erros, ou que estamos próximos do erro, quando o erro já é certo, ou quando o erro não mais pode ser evitado e já é, ou será, um erro de fato. Sim, erramos, conscientes ou inconscientes, aceitando ou discordando erramos, e certo é que cada erro cria raízes, inicialmente superficiais, que deixará legado, e que maculará com sequelas todo o porvir.
É certo que, também, o erro é certo, sempre que de certa forma, a certeza arrogante nos faz errados sob a percepção de que estamos certos. Mesmo os humildes erram, errar é algo a que todos temos contato.
Acreditar que não erramos, ou que somos imunes aos erros, que somos competentes e conscientes o suficiente para evitar os erros, é o primeiro erro de quem presunçosamente se vê mais do que realmente é, ou se acha impune ao certo ou ao errado, que se vê métrica do que deve ser, ou que se acha senhor de si próprio e autoridade no saber do que é certo e do que é errado, do que faço de certo e do que não faço de errado, simplesmente porque o certo e o errado é somente aquilo que lhe catequizaram, que lhes foi revelado como tal, ou que lhes interessa pessoalmente. Pessoalmente estou certo de que não sei o que seja realmente certo ou errado, mas é certo que tento racionalizar criticamente o que possa ser certo ou errado levando-se em conta o valor maior à vida, ao social e à natureza, e muitas vezes não podendo levar em conta simplesmente a dualidade binária do certo ou errado, e sim o contínuo sentido e sentimento do que é melhor e do que é “menos” pior. Se não tenho sequer controle sobre mim mesmo, uma vez que sou, somos, muito mais inconscientes do que gostaríamos ou do que temos a coragem de aceitar, como poderia eu ter a ousadia de acreditar que possa ter controle sobre tudo que seja certo ou errado. Se a ética e a moral são conceitos criados por humanos, e humanos são diferentes entre si, então a moral e a ética não podem ser métricas absolutas de nada de certo ou de errado, pois que variam de pessoa para pessoa, de área geográfica para área geográfica, de tempo para tempo, eu diria de ser para ser, de cultura para cultura e de espaço-tempo para espaço-tempo.
Certo, é certo que pela forma como leio o mundo sou naturalmente levado a certa relativização dos fatos, e assim do que possa ser ético ou antiético, mas é evidente, mesmo para mim, que existem atos, comportamentos, e atitudes que são claramente errados, desumanos ou antiéticos, e apenas por simplicidade vou me ater a alguns poucos, mas todos eles podem ser facilmente alinhados ao desrespeito a vida, a toda a vida, seja ela, animal (incluindo a humana), vegetal, .... Identificaria rapidamente o estupro, a exclusão social, a exploração, o enriquecimento acima do necessário para uma vida socialmente digna, a ganância, o maltrato aos animais ou a natureza como um todo, a poluição, o destruir de nichos ecológicos, o abandono de incapaz, a segregação e o preconceito, o abuso de poder, e muitos e muitos outros.
É certo que erramos e que erraremos, e é errado que sempre
estivemos ou sempre estaremos certo.

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