Induzido por uma colocação de Foucault, ouso dar a ela uma roupagem minha:
Onde há poder, qualquer tipo de poder, aí há o germe da rejeição e da discórdia, e aí fermentará a possibilidade de revolta.
Talvez seja impossível uma sociedade livre de poder algum. Talvez seja verdade. A anarquia absoluta o que tem de linda talvez tenha de impossível, de utópica, e de insustentável, mas é aí que entra a questão, a anarquia não pode ser vista como um fim em si mesma, mas sim como um caminho, podemos racionalmente, educadamente, socialmente e equilibradamente ir continuamente dando ares de maiores liberdades e igualdades, com responsabilidades, porque a anarquia nunca pregou a liberdade desvairada ou descontrolada, mas sim uma liberdade com respeito mútuo, com respeito social, com respeito pela natureza e por todos os nichos ecológicos, e principalmente com dignidade humana e social, com aquele respeito que nossas mães nos ensinaram, aquele respeito onde o meu direito e minha liberdade terminam onde inicia as dos outros.
Se é impossível viver sem nenhum vestígio de poder, é imprescindível que todos tenhamos o máximo de cuidado como relacionamos com estes poderes, tanto para os que os detêm, quanto para os que estão do lado de ter sua liberdade impactada pelos poderes. Devemos ser humanos e humanizar ao máximo o poder, todo poder.

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