Eu vejo a ciência como uma espécie de desafio da realidade.
A realidade em si não tem desafio algum, ela esta aí, ela é, ela própria, em si
mesma, a realidade do que existe, do que acontece, do que deixa marcas, do que
sequer sabemos que está ocorrendo, e não existe desafio algum com a realidade,
quer eu goste ou não, quer eu aceite ou não, quer eu concorde ou não. A
realidade ousa acontecer, ousa ser, ousa realizar-se a si própria, assim, o
desafio, penso eu, está no entender esta mesma realidade, está no compreender
cada vez mais ela e suas engrenagens, está no conhecer não somente os fenômenos
perceptíveis, ou melhor, seus fenômenos como os percebemos, mas está em
descobrir, nunca inventar, nunca em criar, mas sim em apreendermos o
superficial, mas também apreendermos o submundo real desta realidade.
Este
desafio é a ciência, pois é ciência aquilo que descobrimos, que aprendemos, que
conhecemos sobre o real que nos faz ser e que nos faz participar do que já é, e
do que está sendo, além daquilo do que está se transformando para ser, pois é a
ciência, a ciência do procurar e do entender, nunca do inventar, sempre do
descobrir.
Richard Dawkins em um encontro com um astrofísico comentou
que entendia a ciência como a poesia da realidade. Se entendermos, como
pessoalmente entendo, que a realidade é, então podemos aceitar que o conhecimento,
que o aprender, sempre será uma aproximação desta realidade, e assim seria ela,
a ciência, uma espécie de poesia, não pela liberdade poética de criar, de
sonhar, de inventar, mas sim pela beleza sutil do que ela nos permite perceber.
O conhecimento nunca será total, assim na melhor das hipóteses, o conhecimento,
e assim a ciência (porque ciência nada mais é do que conhecimento verdadeiro)
serão sempre uma aproximação, uma simplificação do real e realmente teria um
que de poesia, pois que a ciência sempre será “uma figura de linguagem”
descrevendo a complexidade infinita do real.
A ciência é o desafio que se nos impõe para entendermos a
realidade, todo o resto sem ciência pode ser lindo, agradável, encantador, mas
será falacioso, não porque seja necessariamente uma mentira em si, mas porque
lhe faltará a força do experimento, o filtro da refutação, a justificação das provas,
e a democratização do refazer, do poder refutar e do buscar novos conhecimentos
para aprofundar o que já conhecemos, e em alguns casos de até podermos
recomeçar nova ciência.

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