Eu não tenho um corpo. Para desespero de alguns, eu sou meu corpo.
Mesmo na abstração mais elevada de pensamentos conceituais, eles são a emergência da complexidade de processamento do circuito neuronal, que é também meu corpo.
Para que o eu, a pessoa, ou os eus que me compõem tivessem um corpo ao invés de serem o corpo, necessário seria que ela ou elas pudessem existir desconectadas, sem a dependência obrigatória do corpo, que não somente é o veiculo de locomoção, mas é simplesmente o porque do existir o eu ou os eus que me fazem ser quem sou. Um corpo pode existir, vivo, sem mente alguma, desta forma independente do eu, de qualquer eu, creio sinceramente que até mesmo um corpo de ser humano pode existir independente de uma mente (em coma profundo, ou tendo sua vida sustentada por equipamentos), porém, uma mente, um eu, um ser, ou vários eus, somente podem existir enquanto existir um corpo vivo, com seu circuito cerebral minimamente funcional.
A dualidade corpo e mente é linda, um completa o outro, entretanto mais do que completar, um necessita do outro para expressarem completamente seus porquês biofísicos de existirem, mas, infelizmente para a crença dos mais românticos e ingênuos, o corpo é por si só mais autônomo do que a própria mente que necessita do corpo para emergir, e possibilitar que o eu ou os eus possam somente assim existirem.


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