quarta-feira, 28 de maio de 2014

Em minha juventude: Vencer

Escrito em 15 de Setembro de 1979.

Vencer

Vencer não quer dizer vencer sempre, muito menos nunca vencer. Sequer sei exatamente o significado real de vencer, pois graças a dinâmica e ao estado caótico que é o viver, vencer deve ser algo passageiro, e deve ter um sentido transitório, mas vencer nunca pode significar ou ser decorrente de desumanização dos outros, do desrespeito humano, ou da desagregação social. Vencer não pode também ser decorrente da destruição de nosso planeta, seja vencer que significado, em verdade, tiver.

Em plena guerra em busca da vitória de seus interesses, o homem consegue, muitas vezes, se perverter a um ponto tal, onde a moral é totalmente extirpada ou subvertida aos mesmos interesses, e o caráter humano e a ética social são lançados na mais profunda retração possível...

Ao se subjugar pela busca do poder, o homem (muitos deles) acabou apelando para os mais baixos, vis e inescrupulosos meios de obtê-lo. A vitória passou não mais a ser uma consequência natural, para ser uma meta, meta para a qual qualquer tipo de conduta passa a ser permitida. Porém ao desprezar a razão esquecemo-nos da diferenciação entre o vencer e a Vitória.

As vezes a derrota se torna uma vitória mais vultuosa não só física, como mental e emocionalmente. Falta-nos é a capacidade de percepção para tal. Apelemos para a nossa condição de seres capacitados intelectualmente, de seres que se dizem humanos e racionais,  e usufruamos de nosso raciocínio, o qual nos deveria colocar em situação de privilégio em relação aos demais animais, não porque eles sejam destituídos de raciocínio, mas porque em grau o nosso ainda é muito superior ao dos animais conhecidos. Privilégio!!! Na prática parece muito mais o contrário...

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