segunda-feira, 12 de maio de 2014

Porque deveria esperar algo mais da vida


Porque deveria esperar algo mais da vida, do que aquilo o que já tenho?


Entendo que a esperança possa parecer algo como uma porta de reforço existencial a curto prazo, mas ela na verdade serve muito mais ao sistema do que a cada um de nós individualmente ou mesmo coletivamente, pois que serve de domesticação social, e poder de submissão, uma vez que na crença falsa de que basta crer ou desejar, que pela esperança, o que esperamos, desejamos, ou necessitamos, individual ou coletivamente, até nós chegará. Esta mesma porta que no início, falaciosamente, nos fortalece, a médio e longo prazo tende a se transformar em uma porta para o sofrimento, simplesmente porque a esperança por si só nada transforma, e o caos existencial é implacável em não possuir relação alguma com o que desejamos ou com o que acreditamos merecer, e assim a situação social e individual, em especial dos menos favorecidos da sorte, dos miseráveis, dos excluídos socialmente, dos explorados, dos oprimidos e dos que sofrem, tende a não melhorar, pelo contrário tende a permanecer a mesma ou mesmo piorar.

A vida, o viver, e a realidade existencial são o que são, nuas, cruas e insensíveis a cada um de nós, ao que desejamos ou ao que acreditamos merecer. Não devemos assim nada esperar desta existência, mas sim continuar vivendo e agindo, sem esmorecer, construindo momento presente a momento presente nossa vida, sabendo que nada é nosso em definitivo, que a qualquer momento podemos perder tudo, até mesmo nossa vida ou a daqueles que muito amamos (aliás é a morte nosso único definitivo). Uma bala perdida, um acidente, uma doença, e podemos de uma hora para outra ter nosso encontro com a morte, que é por definição a única “coisa” que sempre nos acompanha. Enquanto vivos, a morte é um fato, não há como dela escapar, ninguém conseguiu dela se livrar por mais do que alguns poucos anos. Todos, homens ou outros animais, se vivos, um dia morreram ou morrerão, e isto por milhões, por bilhões de anos. Isto foi e é valido para todos, não havendo escapatória para ninguém, nem para homens deuses, profetas, escolhidos, místicos ou míticos, poderosos ou miseráveis, todos tiveram que se curvar a ela, e os que ainda não se curvaram, saibam de ante mão que este dia chegará. Acho que esta característica, a de morrer, é uma das coisas que melhor define a vida, ela um dia tem que se ir. Por outro lado quase tendo a vê-la como democrática, no sentido de que ninguém dela escapa, mas mesmo a morte não é tão democrática assim, pois que a uns, pela riqueza e pelo poder conseguem postergá-la mais tempo (nem sempre é verdade) do que para aqueles miseráveis e abandonados, que mal tem acesso a alimentação boa, higiene, saneamento, infraestrutura, médicos, e etc...



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