quinta-feira, 15 de maio de 2014

Independentes

Independente, somos, e ao mesmo tempo, nunca seremos. Somos independentes, apenas em alguns itens e em alguma intensidade, e a partir destes tornamo-nos dependentes, de alguém  ou pelo menos do meio ambiente que nos cerca.

Nascemos totalmente dependentes, disto ninguém duvida. Chego a comentar que na verdade nascemos prematuros quanto ao nosso potencial orgânico, físico e mental. Entendo que a natureza prematura de nosso nascer foi uma contrapartida natural selecionada frente a seleção de cérebros cada vez maiores, que implicava em cabeças também cada vez maiores, sem a seleção concomitante ou a priori de mulheres com passagens maiores entre o útero e o mundo externo, que permitissem a estes bebes passarem e nascerem caso permanecessem mais tempo no útero materno, isso simplesmente porque na natureza não há projeto, não há destino, há seleção do que deu certo, e esta combinação deu certo e propiciou deixarmos descendentes. Dos animais que conheço, o homem é o animal que nasce mais dependente de seus pais (em especial de sua mãe), ou de alguém que assuma o papel dos pais.


A evolução, de forma totalmente natural, acabou favorecendo por uma série de erros de cópia, erros estes aleatórios, a que o bebê da espécie humana pudesse ter um cérebro maior, e com uma arquitetura de rede neural “especialmente complexa”, que de sua complexidade pudesse surgir um ser subjetivo, pensante, uma consciência, uma autoconsciência de ser consciente, e mantivesse ainda um inconsciente ativíssimo, repleto de processos zumbis, que desconhecemos totalmente, e que sequer percebemos seu processar. O custo deste cérebro avantajado para a estatura humana, e mais ainda para o feto em formação, cérebro este cuja rede de conexões beira a casa dos trilhões, e que cujo volume deve assim ser necessariamente maior, foi o de ter seu nascimento para este mundo antecipado, por questões logísticas de tamanho deste feto, tendo assim que nascer prematuro para os padrões naturais de nascimento.

O cérebro já nasce com a quantidade de neurônios praticamente estabelecida, e assim a cabeça do bebê é enorme para o tamanho deste mesmo rebento. Como a natureza, no processo de evolução não segue planos, não visa destinos ou mesmo alguma perfeição, visando tão somente selecionar aquelas criaturas que estejam melhores adaptadas a chegar a idade reprodutiva e deixar maiores números de descendentes, esta “escolha” da natureza, fetos com cérebros maiores, somente foi possível graças a outras evoluções no varejo dos erros de cópia, que avulsas poderiam até ser de impacto neutro, mas que no arranjo do conjunto da obra, propiciaram um cérebro maior e com capacidades de processamento mais poderosas, mas em “troca”, necessitou que estes bebês tivessem que nascer como prematuros, antes do prazo, ou então o tamanho final da cabeça impediria sua passagem pelo canal de nascimento.

A paixão foi uma delas, pois que permitiu que pai e mãe permanecem juntos por mais tempo, tempo este que possibilitava ao recém nato atingir uma capacidade físico-biológica de poder sobreviver, pois assim os pais o protegeriam, o alimentariam e se “responsabilizariam” pelos seus filhos por um espaço maior de tempo. O amor natural pela sua prole foi outra adaptação importante, pois em nome deste sentimento nato, os pais se empenharam mais na criação, resguardo e nutrição de seus descendentes. Uma tendência ao social, no geral, também permitiu uma proteção de grupo, mútua, e assim com uma camada de proteção coletiva, os descendentes estavam mais protegidos para atingirem a idade de procriação que lhes permitissem deixar descendentes. A capacidade de comunicação, primária que fosse, permitia e reforçava outras evoluções, permitindo uma maior coesão do grupo na proteção de seus filhos.

 Desta forma, entre outras, nunca limitado a somente estas, evoluções avulsas (erros de cópia isolados, que possibilitavam certa adaptação, e que levavam a algum critério natural de seleção, porque eram capazes de procriar de forma mais fácil) se somaram para possibilitar que novas gerações de descendentes pudessem nascer com cérebros de maior volume, mesmo que ao custo de nascerem cada vez mais prematuros. Nossos filhos nascem, assim, hoje, totalmente prematuros para o padrão de nascimento da natureza, percebido facilmente em outras espécies. Sem estas evoluções paralelas, não conseguiríamos nascer com cérebros maiores. Se nascessem prematuros sem as evoluções que cercaram o todo, os bebês não sobreviveriam. Se por outro lado estes bebes ficassem na barriga da mãe, até atingirem uma idade gestacional para nascerem andando, enxergando, falando e etc, isto implicaria em mais cerca de um ano na gravidez, e a mãe estaria, pelo peso e pelo volume do bebê, impossibilitada de andar e seria poderia ser morta facilmente por presas predadoras carnívoras, além da impossibilidade deste feto, agora com gestação de quase dois anos poder passar pelo canal do parto.

Muitos podem não acreditar, ou não aceitar, mas percebam comigo. A paixão é datada, ela tem início de forma poderosa, incitando a necessidade do sexo a todo custo, somado a isto, a evolução do prazer sexual reforçava a paixão pela prática de sexo repetitiva, o que maximiza a chance da fecundação (lembremo-nos que não existiam formas contraceptivas, e mais sexo levava a maiores certezas de fecundação), desta forma a paixão mantinha unidos o macho e a fêmea também por maiores espaços de tempo, possibilitando ao bebê ter a proteção por todo este tempo, hoje estimasse que a paixão tenha tempo médio de cerca de 7 anos podendo em alguns casos passar dos dez anos fácil. Uma ligação muito forte (o amor) paterno e materno pela sua cria, seu filho, naturalmente selecionados, facilitava e induzia aos pais a cuidarem melhor de seus filhos. A comunicação permitia maior interação entre os pais na insípida comunidade que se formava, o sorriso do bebê encanta os pais, e o conceito social e algum altruísmo permitia um reforço na proteção e na nutrição destas crianças, e assim pudemos nascer prematuros em excesso e mesmo assim atingir a idade reprodutiva, para hoje estarmos aqui, eu escrevendo o que penso, e você lendo e com direito de não concordar ou de odiar o assunto. Sem ser machista, ou sem a intenção de justificar nada, a evolução ainda fez do homem médio um caçador de mulheres, tão logo a paixão reduzisse, e fez da mulher, que investia uma quantidade de anos absurdo em sua cria, a capacidade de mais amar ainda seus filhos. Entendo também que a evolução, selecionou naturalmente a homossexualidade e a bissexualidade, que já existia naquele tempo, mesmo que eu não possua prova absoluta alguma, pois que comportamento não se fossiliza. Desta forma entendo que a homossexualidade e a bissexualidade possuem alguma vantagem evolutiva pois foi mantida naturalmente entre nós. Não bastasse somente a obrigação do respeito humano pela opção sexual, sobra-me assim também o enorme respeito pela seleção natural. 

Independente, ninguém absolutamente o é, todos temos ao longo do tempo, maiores ou menores dependência de alguém ou de algo. 


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