segunda-feira, 5 de maio de 2014

Tolerância

Tolerância, sentimento pequeno. Calma, não estou, e nunca estaria fazendo apologia da intolerância, apenas gostaria de fazer apologia do que entendo como justo e humano. Discordo frontalmente de ser tolerante, quando esta tolerância se omite frente ao indigno, ao injusto, ao desumano. Aceitar as diferenças, sempre, todos somos no fundo iguais e diferentes, iguais em espécie, em configuração genética e em conformidade geral, mas todos somos diferentes em fenótipo, em gostos, em preferencias, em atuação no teatro da vida e em representação do que somos. Respeitar os diferentes, respeitar as diferenças, sempre, mas respeitar é muito mais do que aceitar, e nada tem a ver com tolerar. Tolerar, passa para mim a ideia de que mesmo entendendo algo como errado, eu sou um ser benévolo e consinto, aceito ou permito e admito que você possa ser diferente, mas ser diferente não é uma questão de eu admitir ou aceitar, é sim uma questão de total respeito, ser diferente é um direito de cada um, desde que este direito não atropele os direitos dos outros. Eu não tolero, eu respeito o que por si só merece respeito, por outro lado se não merece respeito, porque ofende, exclui, segrega, destrói a dignidade humana, faz injustiça, oprime ou explora o próximo, ou a mim mesmo, e por continuidade ofende, ou bota em risco a vida ou a natureza, não aceito que deva tolerar, devo sim repudiar, e me expor abertamente contra aquilo.


Ser tolerante faz-nos parecer grande, mas apenas mostra o lado avesso de nossa humanidade. Ser tolerante implica em parecer benevolente, concedo a alguém, ou a algum grupo de pessoas, o “afável” direito a nossa tolerância, além do direito de aceitá-los. Quanta arrogância, quanta hipocrisia. O que dignifica o humano é respeitar e aceitar as diferenças e as diversidades, simplesmente porque são humanos, simplesmente porque os amamos, simplesmente porque valorizamos a essência humana em cada um de nós, em todos nós. Se o amor universal é difícil, o respeito sincero, o compromisso em defender a liberdade de escolha e de expressão (desde que no geral dignifiquem o viver e a natureza), são o que nos faz socialmente humanos.

Não tenho que tolerar ninguém, se eles não são dignos da humanidade merecem a força da lei, merecem ser retirados do convívio humano, sejam quem forem eles, inclusive se forem os meus filhos, não importando a dor que sinta, importa somente a dignidade social que o humano merece, e em todos os outros casos, eles são livres para fazerem suas próprias escolhas políticas, econômicas, sexuais, religiosas ou de repúdio as religiões e etc, etc, e etc...

Tolerância, não, nunca. Respeito, sim, sempre. Aliás, tolerância zero ao desrespeito humano, a exclusão social, aos preconceitos, a opressão, a exploração, a ditadura das maiorias, e ao abandono ou a todo e qualquer abuso infantil. Você que ser tolerante, não terás a minha tolerância por isso, terás o meu respeito, enquanto a sua tolerância não afetar a dignidade humana, social e o respeito à natureza.  


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