terça-feira, 29 de abril de 2014

Livre para pensar, dependente para viver e restrito para agir

Nunca serei absolutamente livre para agir. Toda ação, diferentemente do pensar possui alcance, reflexos e impactos, desta forma toda ação há de ser responsável, e seu agente é assim, responsável pelos reflexos do que faz e do que se omite de fazer. Minha liberdade de ação somente será plena, quando revestida e limitada pelo respeito a vida, ao social e a natureza. Ao mesmo tempo em que sou livre para pensar, sou totalmente responsável pelo alcance de todas as minhas ações.


Livre para pensar, dependente para viver e restrito para agir. Somos assim, ou deveríamos ser assim, libertos de quaisquer amarras para livre pensar, sempre dependentes de alguém ou de algo para viver, e livre apenas para agir no que não prejudique outros ou a natureza, no que não ofenda a dignidade social e humana dos outros, e no que não exclua, não oprima, não explore ninguém, sendo totalmente livre para nestes casos não agir. 

Livre e independente para pensar: Neste ambiente posso ser liberto de tudo, e devo sê-lo, até mesmo para me conhecer e conhecer os limites do que é possível, mesmo que não seja humano fazê-lo, e ter a livre expressão do pensar na total liberdade de analisar mentalmente tudo e qualquer coisa, sem preconceitos, e na profundidade que se fizer necessário, sob todos os possíveis pontos de vista, mesmo aqueles aparentemente nada éticos. O livre pensar deve me possibilitar refletir, criticar e analisar toda e qualquer situação que deseje, podendo, e devendo, assim, ir até a onde a sociedade me proibiria fisicamente de ir, na busca do máximo conhecimento sobre qualquer assunto, visando a construção de um saber pessoal que possa ser livre, incompleto enquanto fruto de uma mente finita e falha, mas sincero e profundo, podendo assim ser capaz de fugir, evitar ou contornar as armadilhas das induções, das catequeses e das verdades reveladas ou até mesmo baseadas nas autoridades do saber.

Dependente para viver: Todos somos dependentes de algo ou de alguém. O viver é uma dependência natural da própria natureza. Não vivo a revelia do mundo, da natureza ou de todos os demais humanos. Ninguém vive fora deste imanente mundo, mesmo o “mundo” mental somente é reflexo do funcionamento de nosso cérebro, que é físico por natureza. O pensar é a emergência maior do funcionamento físico e bioquímico, do circuito cerebral que lhe é suporte de existência. Todos, mesmo povos nômades e outros, sempre dependerão de alguém ou de algo, ninguém é autossuficiente por si só para existir a margem total dos demais e da própria natureza.

Restrito para agir: É aqui onde a nossa humanidade deveria começar a falar alto, não a humanidade enquanto “coletivo” de humanos, mas a humanidade enquanto princípio e qualidade de ser humano. Minhas ações, meu comportamento, minhas atitudes, todas elas tem um alcance e algum reflexo, e se este não for pela dignificação do social humano e pelo respeito a natureza, melhor que nada façamos. Minhas ações são livres, quando meus desejos de agir são naturalmente pautados em respeito a vida e a natureza. Minhas ações são livres quando meus desejos são de grandeza humana, total entrelaçamento com a natureza e respeito máximo pela essência da vida. É fácil? Com certeza não o é, mas entendo possível. Cabe a cada um de nós buscarmos formas, energias, comprometimento, sensibilidade, e real vontade de conseguir agir amorosamente no sentido racional e crítico do termo amoroso.

Livre para pensar, dependente para viver e restrito no agir, este deveríamos ser todos nós.

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