Liberdade não é exatamente o direito a fazer qualquer coisa, ou somente fazer o que esperam de nós, nem é simplesmente fazer escolhas sobre um grupo de possibilidades que o sistema nos coloca a fácil alcance, ser livre é, também, ter a chance de analisar racional e criticamente fazendo questionamentos a todas as opções de escolha possível, argui-las profundamente, sem limites ou preconceitos, sem dogmas e sem tabus, sem medos ou vergonhas, mas também sem interesses nenhum, a não ser o de simplesmente encontrar a que mais dignifique a sociedade e a natureza, e então ter a opção de escolher a melhor para o todo, para você, a sociedade e a natureza. Ser livre é saber tomar as decisões com o grau de liberdade de questionar profundamente todas as opções de escolha, e daí poder decidir conscientemente, em prol da dignidade humana, social e também da natureza.
Ser livre não é e nunca foi sair loucamente por ai fazendo de tudo que nos dá vontade, sem responsabilidade alguma, sem respeito pela vida e pela natureza, sem compromisso para com o social, mas é se ver livre das amarras que muitas vezes nos limita e restringe, tendo a coragem e a ousadia de ser desbravador de nosso destino, de ser aventureiro de nossa vida, de ser consciente de nossas responsabilidades e de nossos limites, mas que estes não sejam perturbados por medos, preconceitos, tabus, dogmas, catequeses, quer sejam estes místicos-religiosos ou mesmo laico-seculares.
Ser livre não é, de qualquer forma fazer-se somente o que se queira, ser livre é fazer-se o que se quer, dentro que se pode e do que se deve, e o queremos porque deve ser feito e o podemos fazer, mas tendo a coragem de pensar em todas as opções, mesmo as que não se devem e as que não se podem, simplesmente para ver a real profundidade e consequências do não poder e do não dever, em relação a vida, e natureza como um todo.
Viver é o mais importante, todo o resto somente existe porque vivemos, e nunca o oposto. A sociedade, a moral, a ética, as filosofias, as doutrinas, as religiões, e mesmo o social somente existem em decorrência do viver, desta forma é o viver quem deve se sobrepor a todo, mas não somente o meu viver, ou o seu viver, e sim a vida como um todo, de toda a sociedade, dos incluídos e em especial dos excluídos. O viver deve ser coletivo, e este viver coletivo, universal, nunca local, que deve também servir de escopo e de motivo para o equilíbrio do ser livre.

Nenhum comentário:
Postar um comentário