A ciência não quer lutar contra as religiões, mas sim pela verdade e pelas refutações, a ciência pode e deve lutar contra todo desconhecimento, fanatismo ou mentiras, estejam onde estiverem.
A ciência séria não entra em guerra com religiões, ela luta apenas pela verdade (mesmo sabendo ser difícil encontrar toda a verdade, mas pelo menos trabalha com refutações), luta pelo real, e assim, no que as religiões estiverem alinhadas com verdades, ou com a busca sincera destas, baseada em observações, análises críticas e racionais, problematização, proposição de hipóteses, experimentações, modelagens e obtenção de evidências para corroboração ou refutação, estando assim alinhadas com a realidade por detrás dos fatos e dos fenômenos, a ciência, entendendo-se aqui os sérios cientistas, estará com as religiões.
Agora querer que em nome de alguma fé, de alguma revelação, de alguma autoridade do saber, ou simplesmente porque esteja escrito em qualquer livro considerado sagrado, a razão, a lógica, o conhecimento científico, em especial os refutados, possam ser descaracterizados, desconsiderados, desqualificados ou desmentidos, é inaceitável. A luta não é contra as religiões, ou mesmo contra os religiosos, nunca foi, ou nunca deveria ter sido, a luta é contra a ignorância, o desconhecimento, o fanatismo, a intransigência ou mesmo a intolerância ao método científico, nunca para destruir os ignorantes, os que desconhecem, os fanáticos, os intransigentes ou os intolerantes, mas sim para levar a “luz” do conhecimento, do respeito e do saber até eles, eliminando as “trevas” da ignorâncias, de desconhecimento, do fanatismo, da intransigência e da intolerância. O conhecimento e o saber, segundo a visão científica deve ser público e disponível a todos, deve ser de fácil acesso e de livre circulação. A educação deve ser assim, universalizada, e ser de cunho integral e multidisciplinar, deve ser libertadora e permitir a todos uma capacidade de tornarem-se cidadãos com cidadania e responsabilidades, deve ensinar a serem críticos, curiosos, e livres pensadores, deve ser livre de dogmas, preconceitos ou doutrinações. A educação deve formar seres conscientes de si e da sua importância para a sociedade e para o mundo, e seres capazes de perceber como é múltipla, bela e maravilhosa a natureza, como ela pode ser muitas vezes nada intuitiva, e parecer em alguns casos até mesmo misteriosa, mas ela é de acesso a todos que a desejem entender e amar. A ciência não é invenção, pois ela nada cria, ela apenas percebe, lê, modela, o que já existe, em especial o como por detrás de cada fato ou fenômeno, ela é curiosa na leitura do livro aberto da natureza, ela busca saber e conhecer muito mais do que a superficialidade dos fenômenos, ou as interpretações superficiais de cada um dele, ela busca descobrir e modelar as engrenagens físicas, químicas, biológicas, mentais ou sociais por baixo, no interior de cada fenômeno, que possibilitem este e que deem sustentação para que eles possam acontecer.

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