Muitos me acham incoerente, devo ser, longe da perfeição e
próximo da realidade humana. Posso realmente ser incoerente em diversos
assuntos, mas o que ainda me choca, não sei por que, é que primeiro rotulam,
depois perguntam o porquê da aparente incoerência. Neste assunto em especial,
nada tenho de incoerente.
Vamos lá:
Não creio na existência de discos voadores nos visitando,
nem hoje e nem no passado. Até aqui nada demais, pois que vários dos que me
chamaram de incoerente hoje pela manhã também não creem na existência de discos
voadores. Pode até ser que você, leitor, também não creia, e daí? Crer ou não
crer em discos voadores nos visitando é um direito de cada um, pois que sendo
crença, não existe prova definitiva, nem pelos que juram que eles existem, nem
para os como eu, que mantem a posição de não crer neles, mas que é totalmente
impotente quando o caso é provar esta crença.
Mas então de onde vem a possível incoerência? Vem agora. Não
creio em discos voadores, mas creio sinceramente na existência de vida em
outros recantos deste nosso quase infinito universo. Creio mesmo que nossa
existência possa ter relação com o espaço fora da terra. Não estou defendendo
crer em uma panspermia perfeita (sinceramente não creio nisto), mas creio que
os tijolos primordiais, básicos, que permitiram de alguma forma que a física
fosse escalada para o biológico, podem muito bem ter vindo de fora de nossa
amada terra. Não a vida pronta, mas algumas moléculas orgânicas podem muito bem
ter chegado aqui de carona em cometas ou asteroides que conosco colidiram,
exatamente como a agua que é tão vital a nossa vida.
- Como você não acredita em discos voadores, mas acredita em
vida fora da terra? Repetiam a pergunta.
As vezes me confundo que o que pareça ser tão simples e
claro para mim, não tem que ser simples e claro para os outros. Desta forma eu
tentarei ser mais específico.
Em primeiro lugar a vida não tem que necessariamente evoluir
para seres inteligentes, capazes de construir naves interestrelares. A vida
evolui de forma bem aleatória no tocante a sua variação e especificação, e de
forma bem definida pela seleção natural, sexual, simbiótica e mais recentemente
pela seleção artificial. A vida existe na terra a mais de 3 bilhões de anos
(mais de três mil milhões de anos), e a vida inteligente, pela nossa definição
de inteligente, somente existe a muitíssimo pouco tempo, e somente chegou aqui,
pelo fim catastrófico dos reis do pedaço nos últimos tempos, os dinossauros. É
certo que a vida evolui em complexidade, mas definir que crescer em
complexidade é crescer em inteligência é de uma falácia absurda.
Em segundo lugar, mesmo que vida inteligente tenha surgido
fora da terra (e eu pessoalmente creio nisto também), não significa que tenham
superado sua juventude intelectual. A inteligência leva e acirra disputas, e
eles podem ter se destruído enquanto espécie, antes de sequer alcançar
tecnologia avançada. Mesmo que não tenham se destruído, e que possuam naves ou
tecnologia para viagens espaciais, isto não possibilita por si só viagens
interestrelares. Mesmo que tenham conseguido conhecimento e tecnologia para
viagens interestrelares, uma coisa é viajar a alfa centauro (cerca de 5 anos
luz daqui) e outra é viajar milhões de anos luz, pior ainda, bilhões de anos
luz de distancia. E mesmo que tivessem descoberto como viajar bilhões de anos
luz de distancia, escolher o nosso sol, e o nosso planeta como destino torna
esta progressão menos provável ainda.
Pensemos juntos:
Nosso planeta é mínimo em tamanho, em uma estrela também
nada especial. Só em nossa galáxia (uma de bilhões de galáxias, apenas no
universo observável) passam dos bilhões o número de estrelas, e como dito
existem outras bilhões de galáxias, fora talvez um outro numero absurdo de galáxia
fora do espaço que podemos enxergar (se o nosso universo tem cerca de 13 bilhões
de anos de idade, qualquer galáxia a mais de 13 bilhões de anos luz de
distancia é invisível para nós, simplesmente porque sua luz não teve tempo físico
para aqui chegar). Como a formação de planetas é algo natural, surgindo por
aglutinação da poeira cósmica que sobra da formação da estrela, é possível, e
cada vez mais corroborado pelas descobertas dos exoplanetas, que cada estrela
tenha mais de um planeta rodeando-a, assim somente pelo número de estrelas,
podemos estar falando de uma ordem de planetas muito maior do que “3.000.000.000.000.000.000”
de planetas. E o nosso sol é de tamanho e brilho nada relevante, e nosso
planeta menor ainda. Este segundo argumento, implica que as distancias em sí
são absurdas, e a quantidade em si de planetas é mais absurda ainda para
encontrarem o nosso lindo planetinha. O nosso sol, com o nosso planeta fica tremendamente
perdido neste quase infinito espaço.
A terceira justificativa é que somente a cerca de cem anos é
que tivemos controle sobre a emissão ondas eletromagnéticas de rádio e
televisão, e o sinal de rádio, transmitido naquela época, era de baixíssimo
potencial, mas mesmo assim estaria esta onda a apenas cem anos luz daqui, o que
ainda é um espaço irrisoriamente pequeno quando comparado a todo o universo observável,
é como se ainda estivesse apenas sobre a soleira de nossa porta espacial, sendo
assim totalmente inacessível para as distâncias maiores que esta.
Alguns poderão comentar, que existem outras formas de
pressupor a existência de alguma vida biológica. Sim existe. Perceber a
existência de O2 livre na atmosfera, é uma delas. Normalmente a molécula de O2
não é mantida livre de forma natural. Na natureza o oxigênio tende a estar
combinado com outros elementos, e assim a existência abundante de 02 livre
induziria o pensamento da existência de algum processo biológico gerando este
excesso de O2, mas neste caso voltamos as proposições primeira, segunda e
terceira, que praticamente impossibilitaria a descoberta casual de nosso
planeta. Isto não chamaria praticamente a atenção de nenhum ser extraterrestre
por nosso planeta, a menos que estivessem próximos a nós, o que também nos
permitiria percebe-los.
Agora para terminar, a idealização de que seres
extraterrestres seriam naturalmente e necessariamente bons me parece romântica brincadeira.
O que nossa sociedade mostra é que a inteligência leva muitos de nós para o
lado perverso, dominador, extrativista, colonizador, do que para o lado bom,
digno e defensor das demais espécies.
Assim, se eles aqui estivessem, já os teríamos vistos, ou eles não
seriam naturalmente tão bonzinhos como nossa idealização mental nos faz crer.
Assim creio em vida fora daqui, mas não creio em ETs, nos
visitando, ou mesmo entre nós vivendo.
Estaria eu chamando de mentirosos aqueles que juram terem
tido contato com ETs? É obvio que não. Primeiro falo de crença, e não de
certezas. Segundo, são muitos os que acreditam terem tido algum contato com ETs,
alguns mesmos chegando a afirmar terem sido abduzidos, pra que eu grosseiramente
afirmasse que todos são mentirosos. O que eu ouso comentar é que a imagem que
criaram para si, que no fundo os faz sinceramente crer terem tido tal contato,
é real do ponto de vista mental deles, mas é uma falácia mental. Não elimino
que parte desta população esteja realmente mentindo, mas outra parte
sinceramente crê que teve tal contato.
Agora se nos abstivermos do contato em si, e estivermos
apenas falando em visão de naves espaciais, tudo fica mais fácil, eles podem
ter visto sim UFOs, mas não de ETs. UFO significa Objetos Voadores não
Identificados, não significa nave de ETs. Eles podem ter presenciado naves
terrestres experimentais, balões meteorológicos ou outros afins. Sobre os
radares, desde o final da segunda guerra que já tínhamos desenvolvidos
tecnologia para enganar radares com o “imageamento” de falsos objetos.
E mesmo depois de toda esta asserção, posso estar errado, e
certos aqueles que creem em ETs conosco, ou nos visitando, e quem sabe nos
ajudando. Posso inclusive ser eu um ET, buscando apenas cada vez mais
desacreditar sua existência para continuar por aqui disfarçadamente.
O fato de não crer em algo, não impossibilita sua verdade. Apenas
reforço, que neste assunto, para mim, sinceramente desconheço qualquer
evidência racional e crítica que balizasse totalmente que ETs estejam por aqui
ou que já estiveram por aqui.

Nenhum comentário:
Postar um comentário