quinta-feira, 10 de abril de 2014

Incoerente eu

Muitos me acham incoerente, devo ser, longe da perfeição e próximo da realidade humana. Posso realmente ser incoerente em diversos assuntos, mas o que ainda me choca, não sei por que, é que primeiro rotulam, depois perguntam o porquê da aparente incoerência. Neste assunto em especial, nada tenho de incoerente.

Vamos lá:

Não creio na existência de discos voadores nos visitando, nem hoje e nem no passado. Até aqui nada demais, pois que vários dos que me chamaram de incoerente hoje pela manhã também não creem na existência de discos voadores. Pode até ser que você, leitor, também não creia, e daí? Crer ou não crer em discos voadores nos visitando é um direito de cada um, pois que sendo crença, não existe prova definitiva, nem pelos que juram que eles existem, nem para os como eu, que mantem a posição de não crer neles, mas que é totalmente impotente quando o caso é provar esta crença.


Mas então de onde vem a possível incoerência? Vem agora. Não creio em discos voadores, mas creio sinceramente na existência de vida em outros recantos deste nosso quase infinito universo. Creio mesmo que nossa existência possa ter relação com o espaço fora da terra. Não estou defendendo crer em uma panspermia perfeita (sinceramente não creio nisto), mas creio que os tijolos primordiais, básicos, que permitiram de alguma forma que a física fosse escalada para o biológico, podem muito bem ter vindo de fora de nossa amada terra. Não a vida pronta, mas algumas moléculas orgânicas podem muito bem ter chegado aqui de carona em cometas ou asteroides que conosco colidiram, exatamente como a agua que é tão vital a nossa vida.

- Como você não acredita em discos voadores, mas acredita em vida fora da terra? Repetiam a pergunta.

As vezes me confundo que o que pareça ser tão simples e claro para mim, não tem que ser simples e claro para os outros. Desta forma eu tentarei ser mais específico.

Em primeiro lugar a vida não tem que necessariamente evoluir para seres inteligentes, capazes de construir naves interestrelares. A vida evolui de forma bem aleatória no tocante a sua variação e especificação, e de forma bem definida pela seleção natural, sexual, simbiótica e mais recentemente pela seleção artificial. A vida existe na terra a mais de 3 bilhões de anos (mais de três mil milhões de anos), e a vida inteligente, pela nossa definição de inteligente, somente existe a muitíssimo pouco tempo, e somente chegou aqui, pelo fim catastrófico dos reis do pedaço nos últimos tempos, os dinossauros. É certo que a vida evolui em complexidade, mas definir que crescer em complexidade é crescer em inteligência é de uma falácia absurda.

Em segundo lugar, mesmo que vida inteligente tenha surgido fora da terra (e eu pessoalmente creio nisto também), não significa que tenham superado sua juventude intelectual. A inteligência leva e acirra disputas, e eles podem ter se destruído enquanto espécie, antes de sequer alcançar tecnologia avançada. Mesmo que não tenham se destruído, e que possuam naves ou tecnologia para viagens espaciais, isto não possibilita por si só viagens interestrelares. Mesmo que tenham conseguido conhecimento e tecnologia para viagens interestrelares, uma coisa é viajar a alfa centauro (cerca de 5 anos luz daqui) e outra é viajar milhões de anos luz, pior ainda, bilhões de anos luz de distancia. E mesmo que tivessem descoberto como viajar bilhões de anos luz de distancia, escolher o nosso sol, e o nosso planeta como destino torna esta progressão menos provável ainda.

Pensemos juntos:

Nosso planeta é mínimo em tamanho, em uma estrela também nada especial. Só em nossa galáxia (uma de bilhões de galáxias, apenas no universo observável) passam dos bilhões o número de estrelas, e como dito existem outras bilhões de galáxias, fora talvez um outro numero absurdo de galáxia fora do espaço que podemos enxergar (se o nosso universo tem cerca de 13 bilhões de anos de idade, qualquer galáxia a mais de 13 bilhões de anos luz de distancia é invisível para nós, simplesmente porque sua luz não teve tempo físico para aqui chegar). Como a formação de planetas é algo natural, surgindo por aglutinação da poeira cósmica que sobra da formação da estrela, é possível, e cada vez mais corroborado pelas descobertas dos exoplanetas, que cada estrela tenha mais de um planeta rodeando-a, assim somente pelo número de estrelas, podemos estar falando de uma ordem de planetas  muito maior do que “3.000.000.000.000.000.000” de planetas. E o nosso sol é de tamanho e brilho nada relevante, e nosso planeta menor ainda. Este segundo argumento, implica que as distancias em sí são absurdas, e a quantidade em si de planetas é mais absurda ainda para encontrarem o nosso lindo planetinha. O nosso sol, com o nosso planeta fica tremendamente perdido neste quase infinito espaço.

A terceira justificativa é que somente a cerca de cem anos é que tivemos controle sobre a emissão ondas eletromagnéticas de rádio e televisão, e o sinal de rádio, transmitido naquela época, era de baixíssimo potencial, mas mesmo assim estaria esta onda a apenas cem anos luz daqui, o que ainda é um espaço irrisoriamente pequeno quando comparado a todo o universo observável, é como se ainda estivesse apenas sobre a soleira de nossa porta espacial, sendo assim totalmente inacessível para as distâncias maiores que esta.

Alguns poderão comentar, que existem outras formas de pressupor a existência de alguma vida biológica. Sim existe. Perceber a existência de O2 livre na atmosfera, é uma delas. Normalmente a molécula de O2 não é mantida livre de forma natural. Na natureza o oxigênio tende a estar combinado com outros elementos, e assim a existência abundante de 02 livre induziria o pensamento da existência de algum processo biológico gerando este excesso de O2, mas neste caso voltamos as proposições primeira, segunda e terceira, que praticamente impossibilitaria a descoberta casual de nosso planeta. Isto não chamaria praticamente a atenção de nenhum ser extraterrestre por nosso planeta, a menos que estivessem próximos a nós, o que também nos permitiria percebe-los.

Agora para terminar, a idealização de que seres extraterrestres seriam naturalmente e necessariamente bons me parece romântica brincadeira. O que nossa sociedade mostra é que a inteligência leva muitos de nós para o lado perverso, dominador, extrativista, colonizador, do que para o lado bom, digno e defensor das demais espécies.  Assim, se eles aqui estivessem, já os teríamos vistos, ou eles não seriam naturalmente tão bonzinhos como nossa idealização mental nos faz crer.

Assim creio em vida fora daqui, mas não creio em ETs, nos visitando, ou mesmo entre nós vivendo.

Estaria eu chamando de mentirosos aqueles que juram terem tido contato com ETs? É obvio que não. Primeiro falo de crença, e não de certezas. Segundo, são muitos os que acreditam terem tido algum contato com ETs, alguns mesmos chegando a afirmar terem sido abduzidos, pra que eu grosseiramente afirmasse que todos são mentirosos. O que eu ouso comentar é que a imagem que criaram para si, que no fundo os faz sinceramente crer terem tido tal contato, é real do ponto de vista mental deles, mas é uma falácia mental. Não elimino que parte desta população esteja realmente mentindo, mas outra parte sinceramente crê que teve tal contato.

Agora se nos abstivermos do contato em si, e estivermos apenas falando em visão de naves espaciais, tudo fica mais fácil, eles podem ter visto sim UFOs, mas não de ETs. UFO significa Objetos Voadores não Identificados, não significa nave de ETs. Eles podem ter presenciado naves terrestres experimentais, balões meteorológicos ou outros afins. Sobre os radares, desde o final da segunda guerra que já tínhamos desenvolvidos tecnologia para enganar radares com o “imageamento” de falsos objetos.

E mesmo depois de toda esta asserção, posso estar errado, e certos aqueles que creem em ETs conosco, ou nos visitando, e quem sabe nos ajudando. Posso inclusive ser eu um ET, buscando apenas cada vez mais desacreditar sua existência para continuar por aqui disfarçadamente.


O fato de não crer em algo, não impossibilita sua verdade. Apenas reforço, que neste assunto, para mim, sinceramente desconheço qualquer evidência racional e crítica que balizasse totalmente que ETs estejam por aqui ou que já estiveram por aqui.

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